segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Estudo do TP3







Avançando na prática - Unidade 9 pág. 25









Neste trabalho,os alunos formaram grupos e tiveram por objetivo elaborar uma entrevista e com os dados obtidos elaborar a biografia de alguém importante na escola ou na comunidade.

Foi realizado não só com a sétima série que eu ensino, mas também com as sétimas séries da professora Érika. Foi, logo de início, o "avançando na prática" escolhido por trazer uma temática prescrita nas OTMs deste bimestre. Unimos, então, o útil ao agradável!

Bastaram poucas explicações para que os alunos compreendessem a finalidade da biografia. começamos estudando a história de vida de Mestre Vitalino, depois detectamos as características de um texto biográfico, posteriormente os alunos construíram a sua própria biografia e por fim o trabalho de pesquisa foi lançado.

As perguntas da entrevista foram elaboradas em conjunto na sala de aula, o restante do trabalho deveria ser feito em outros ambientes. Embora não fosse um trabalho difícil, a elaboração da biografia, antes de ser exposta, deveria ser corrigida. Foi aí que percebi que ainda havia dúvidas... mais uma aula reservei para tentar saná-las.

Os alunos, desde que a proposta fora lançada, adoraram a ideia de pesquisar(desvendar) sobre a vida de alguém que eles consideravam importante. Tanto que, na apresentação, todos fizeram questão de destacar os pontos fortes da pessoa escolhida. Dos cinco grupos que apresentados, quatro escolheram funcionários e professores da escola; o outro grupo escolheu a enfermeira do PSF da comunidade. E não é que os trabalhos saíram melhor do que eu esperava? Os alunos usaram a criatividade preparando cartazes e até mesmo dramatizando! Uns mais extrovertidos, outros mais tímidos, no entanto, todos participaram.

Merece destaque o texto produzido pela dupla : Luiz Henrique e Rafaela, que apesar de não ter a fotografia do entrevistado, foi escrito com um português impecável e composto de detalhes que marcam a personalidade de quem o escreveu.

O mais importante é saber que, onde eles (os alunos) virem um texto biográfico eles o reconhecerão como tal, saberão sua finalidade e consequentemente o interpretarão com maior segurança. O conhecimento foi, então, construído.

Memorial: Minha história de vida na leitura e na escrita

Segundo Dona Maria das Graças, minha mãe, sempre fui boa aluna e nunca lhe dei trabalho com relação aos estudos, principalmente no quesito "língua portuguesa".
Iniciei minha vida escolar aos quatro anos (1992), quando fui matriculada no Centro Social Urbano Evalda Vilaça, aqui mesmo, em Limoeiro. Lá eu cursei o antigo jardim II e tinha como professora uma senhora muito cuidadosa e exigente. não sei como ela se chamava, provavelmente, Maria da Conceição, já que atendia pelo carinhoso apelídio de "Tia Ceça".
Se na escola era tia Ceça que me ensinava, em casa, essa tarefa passava a ser da minha tia Flávia. Foi com ela que aprendi a gostar de fazer as tarefas de casa porque, a medida que ela fazia os seus deveres da escola - na época, minha tia, estava na oitava série do ensino fundamental - eu estava do lado fazendo as minhas e, é claro, mais atrapalhando do que ajudando.
Um fato curioso é que, minha tia, guardou durante um bom tempo o meu primeiro caderno, no intuito de que mais tarde ela pudesse mostrar o meu progresso. Não, esse caderno não existe mais, no entanto, lembro que o caderno tinha todas as tarefas feitas à mão pela professora com atividades psico-motoras e de memorização. Durante este ano, as voais foram o ponto forte. Geralmente, a professora colava um pequeno texto e pedia que identificasse a vogal anteriormente ensinada. o som de cada letra era minuciosamente trabalhado e, segundo minha tia Flávia, ao fim do ano letivo eu já conseguia juntar encontros vocálicos. Ah, eu reconhecia em placas ou até mesmo em blusas as letras conhecidas.
Na alfabetização, atualmente, primeiro ano do ensino fundamental, fui estudar na Escola Professora Jandira de Andrade Lima, onde fiquei estudando até o segundo ano de Ensino Médio. Tive como professora alfabetizadora, durante os três primeiros anos, Selma Barbosa, uma mulher jovem, baixinha, mas com um grande potencial.
A cartilha, que era o livro por nós utilizado, ainda tenho guardada, apesar de estar sem a capa e com a maioria das páginas picotadas. Nesse livro, o nosso código linguístico era separadamente trabalhado, começando das vogais até a formação de frases simples. E foi assim, trabalhando "família por família", repetindo-as várias vezes, juntando pedacinhos por pedacinhos que Selma ensinou-me a ler e a escrever.
Durante este período, em casa, minha continuava estudando e ao mesmo tempo me ensinando. Ela conta que eu tinha mania de sair juntando um monte de consoantes e vogais, formava palavras enormes e sem sentido e ainda exigia que ela lesse. E o pior de tudo, tia Flávia, tinha que adivinhar a palavra que eu estava pensando quando escrevi aquele código indecifrável que eu chamava de "palavra". Ah, se minha tia errasse era motivo para eu chorar a tarde inteira...
A professora Selma continuou me ensinando os dois anos posteirores à alfabetização.foi nesse período que a minha família começou a perceber meu interesse por língua portuguesa. ganhei vários livros com contos clássicos da literatura infantil do meu tio Adilson. Ele se encantava quando me via lendo e me achava a criança mais importante do mundo. lembro também que minha avó, até hoje analfabeta, ficava sentada do meu lado me ouvindo contar as historinhas. Depois de incentivos como esses o meu desejo em saber mais só aumentava. Só sei que ao término da terceira série (1995), agora com a professora Beatriz - atualmente aposentada, mas que eu amo de coração - eu já sabia ler compreendendo significados e dando entonações distintas aos diferentes personagens de cada livrinho.
Praticamente apropriada do código escrito, trabalhados pelos professores do fundamental II, não foi difícil chegar, sem reprovação, ao Ensino Médio. É importante lembrar que durante este percurso, na sétima série, reencontrei com Selma, agora me ensinando geografia. Nesta mesma série, conheci a professora Graça Silva, foi com ela que comecei a aprender a colocar minhas ideias no papel. A produção de texto era seu ponto forte durante as aulas e isso contribuiu significativamente para a elaboração dos meus futuros trabalhos na faculdade.
No Ensino Médio, comecei a ler clássicos da literatura nacional, mas isso não aconteceu por livre e expontânea vontade, na verdade, eu precisava lê-los para responder as atividades que os professores passavam. De início, levei um susto já que o primeiro livro que li foi Memórias Póstumas de Bras Cubas. Outros livros, no entanto, eu fui "forçada" a ler e por causa destes, a exemplo de Capitães da Areia (Jorge Amado), resgatei o gosto pela literatura brasileira.
Concluído o Ensino Médio, fiz vestibular para pedagogia pela UPE, na Faculdade de Formação de Professores de Nzaré da Mata e consegui a aprovação. Aí que começa a minha vida em meio a livros, literalmente falando. É isso mesmo, quando iniciei a faculdade em 2005, na mesma semana comecei a trabalhar como vendedora na livraria da cidade. Que lugar tranquilo! Familiarizei-me tanto com aquele ambiente que só saí de lá quando fui nomeada professora da rede estadual de ensino. Isso aconteceu em fevereiro de 2009 e até hoje sinto falta dos "meus livros" já que era assim que eu costumava chamá-los. Foi na livraria que descobri que a minha verdadeira paixão são os livros ficção estrangeira.
Há seis meses estou lecionando e a minha vida como professora não está sendo nada fácil. O que mais me motiva é saber que estou ensinando uma disciplina que eu gosto e que sempre admirei enquanto aluna. Se me perguntarem porque eu não fiz graduação em letras, eu não saberei responder... mas, de uma coisa eu sei... sei que a leitura é construída aos poucos e que a família contribui substancialmente. Hoje, ainda tenho guardadas, com orgulho, medalhas recebidas em concursos de redação e minha pretenção é fazer com que meus alunos sejam os próximos a serem premiados, se não com medalhas, mas com conhecimento, pelos seus talentos em lidar com as palavras.